
Lucas
Leal da Silva Pinheiro, também conhecido como Lucas, simplesmente...
Estudante de PP - FAMECOS - PUCRS
02.01.1986
Porto Alegre - RS
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Terça-feira, Janeiro 23, 2007
...dos vícios.
Como o educador que apresenta o vício;
Como o vôo do pássaro sem asas;
Como o sorriso sem emoção;
Como o choro sem lágrimas.
Como a brisa morna;
Como o assassino sem remorso;
Como a cor desbotada;
Como uma noite sem estrelas.
Como um véu negro;
Como um breu branco;
Como a certeza da certeza;
Como o fim que não acaba.
Como uma prisão;
Como a inexistência;
Como a poeira;
Como a morte anunciada.
Como pés que não tocam o chão;
Como ouvidos que não ouvem;
Como a boca que não fala;
Como olhos que não vêem.
Como o sentido confuso;
Como a tontura da catarse;
Como a fixação do que não é;
Como a insignificância dos que rastejam.
Como uma lembrança esquecida;
Como a fantasia de todo esse mundo;
Como um marginal;
Como uma sentença.
Como a derrota;
Como o sofrimento;
Como uma mancha negra que se aproxima;
Como um grito sufocado.
Como um parasita;
Como um câncer que não evolui;
Como a dor indistinta;
Como um adeus sem querer.
Como o educador que apresenta o vício;
Como o educador...
Como o vício...
O vício.
*Ouvindo: "Joy Division - The Eternal"
Foi assim que LUCAS PINHEIRO falou,
por volta das 10:41 AM |
Domingo, Novembro 19, 2006
Horas Vazias
5:00 pm. versus combat sem volta. vem e volta. volta? por favor. morte e vida. viva! a voz escondida me chama. pergunta se não quero aspargos no jantar. respondo que sim, com molho de gergelin, por favor mais uma vez. 7:00 pm. vizinha se trocando no andar de baixo. olhos atentos e curiosos da janela. eu na cama. deitado. flertando com o vil metal encrustrado no teto. meu passat branco estacionado na rua. no céu, azul e preto, ao mesmo tempo, dia e noite. versos. vento. venta, venta. brisa, brisa. revolta portuguesa a moda antiga. lukaaz' leerien. homo bobus infinitus. sem figos, sem figos. eu já disse que é sem figos. pra mim não. pra ele ali ó. 9:00 pm. morte na esquina, mais uma vez. espancaram a loucura de alguém até a vida. diz o ditado. os opostos se retraem. espetáculo! lagartixas subindo as paredes, lagartixos cuidando da casa e das crianças. baratas voando para o sétimo-céu. love me sweet, love me true. baldinho cheio de canetas. baldinho voador. deus castiga e mata ratos. 12:00 pm. whisky na cara. grito na sacada. espalha e espelha o chão e o céu. universo paralelo numa poça. o velho chega, diz e vai embora sem falar uma palavra. garganta cortada, garganta cortada. dance! dance seu estúpido, ridículo, idiota. dance no telhado. dance pelo chão. dance pela luz do poste, tão fraca, que mal chega aos meus olhos. dance, dance. dance na vida. baila, baila. io io io iô! pa pa ra tim pum! 1:10 am. quero gritar. posso mãe? dor dor dor. dor no coração. dor profunda. profundamente profunda. dor de faltar palavras. dor de morrer sem saber. dor de matar. dor dor dor. maldita dor. odeio a dor. vamos banir a dor. vontade de sair voando. vento na cara, lágrimas nos olhos. e mais uma vez a dor. nó na garganta. quebrar vidraças. quebrar o vazio. arrancar o meu braço e bater no mundo com ele.
*Ouvindo: "Gluecifer - Easy Living"
Foi assim que LUCAS PINHEIRO falou,
por volta das 4:41 AM |
Quinta-feira, Novembro 02, 2006
Trecho IV
"Muitos doentes entre os que lá estavam em observação chegavam, mais emotivos do que os outros, naquele ambiente açucarado a um estado de tamanha exasperação que, à noite, se levantavam ao invés de dormir, andavam pelo dormitório de um lado para outro, reclamavam em voz alta das próprias angústias, crispados entre a esperança e o desespero, como em cima da encosta traidora de uma montanha. Penavam assim dias e mais dias, e depois, uma noite, desabavam de vez, bem baixo, e iam confessar todo o seu caso ao médico-chefe. Esses, não tornávamos a vê-los, nunca mais. Eu tampouco estava tranqüilo. Mas quando somos fracos, o que dá força é despojar os homens que mais tememos do menor prestígio que ainda tendemos a atribuir-lhes. É preciso aprender a considerá-los tal como são, piores do que são, ou seja, a partir de todos os pontos de vista. Isso liberta você e o defende muito mais do que tudo que se possa imaginar. Isso lhe dá um outro você mesmo. Somos dois.
A partir daí, as ações deles deixam de ter para você essa asquerosa atração mística que o enfraquece e o faz perder tempo, e a comédia deles não é de modo algum mais agradável e mais útil para o seu progresso íntimo que a do mais reles patife."
*Ouvindo: "King Crimson - Moonchild"
Foi assim que LUCAS PINHEIRO falou,
por volta das 4:32 PM |
Quarta-feira, Outubro 18, 2006
Nichts
É sempre assim. No meio da noite, quando vou até à janela e fico olhando o nada, começo a ter pensamentos do nada e no nada faço parte. Respiro o nada e tenho vontade de voar no nada. Pensar em nada; achar o nada; sentir o nada. Sendo nada, quero entrar nas entranhas mais profundas do nada. Navegar nas veias do nada, sendo nada. Me libertar de tudo do tudo e sonhar com nada, em toda a nulidade do meu eu-nada. Imagino uma grande tigela de nada na minha frente. Imagino as grandes colheradas de nada que coloco na minha boca que não existe. Bebo o nada em grandes goles. Me preocupo com o nada. O nada belo; o nada inofensívo. Aos poucos, a importância de tudo vai diminuindo e, me entregando a miséria do nada, vou diminuindo junto. "Lá se vai mais um para o nada", é o que se passa no nada da minha mente. E quando consigo alcançar a fonte do nada universal, sinto-me uma unidade de nada. Único.
Todo o espaço em branco entre o horror e a felicidade, entre a dor do tudo e a certeza do céu.
Nada.
Sou.
Acima da felicidade.
*Ouvindo: "Radiohead - Fitter Happier"
Foi assim que LUCAS PINHEIRO falou,
por volta das 1:26 AM |